• Segunda à Sexta-feira - 8h às 18h

11/2 – Dia Internacional das Mulheres e Meninas nas Ciências

Entrevista Andréa Pereira dos Santos – pesquisadora, cientista e professora do curso de biblioteconomia e do programa de pós-graduação em comunicação da universidade federal de goiás

Como tem sido fazer ciência no Brasil?

Fazer ciência no Brasil, no meu ponto de vista, nunca foi fácil. Investe-se pouco em pesquisas e muitas vezes, nós pesquisadoras e pesquisadores temos de tirar dinheiro do próprio bolso para bancar tanto os custos propriamente ditos da pesquisa quanto a sua divulgação já que não basta só escrever. Depois de escrito o trabalho precisa de revisão, tradução, precisa ser divulgado em congressos, exige viagens etc. O pior de tudo é o descrédito da sociedade em relação à universidade e como enxergam professores/as pesquisadores/as e estudantes. Um pouco desse descrédito pode ser nossa culpa por estarmos tão afastados da sociedade ao não realizar atividades de extensão de forma mais abrangente. Ao mesmo tempo, como não se tem dinheiro suficiente para as pesquisas e sua divulgação, essa informação acaba não chegando para a sociedade. Grande parte das pessoas não faz ideia do que acontece nos grandes centros universitários e por isso acabam por ter uma visão distorcida dessas instituições.

Qual pesquisa te dá mais orgulho de ter realizado?

Trabalho com pesquisas relacionadas às práticas de leitura e suas interfaces. Nesse caso, faço  conexão com outras sub-temáticas que são especialmente: o letramento informacional, as bibliotecas escolares, bibliotecas públicas e redes sociais. Até agora a pesquisa que me deu mais orgulho foi o trabalho que desenvolvi no meu doutorado “JUVENTUDE DA UFG: TRAJETÓRIAS SOCIOESPACIAIS E PRÁTICAS DE LEITURA”. Nessa pesquisa, tive a oportunidade de conhecer diferentes histórias pessoais de alunos da UFG e como suas trajetórias de vida influenciaram em suas práticas de leitura atuais. Nela pude constatar que quando se tem acesso à leitura desde cedo há uma probabilidade maior de desenvolver competências leitoras e informacionais mais acuradas durante sua vida universitária. Atualmente, no Pós-Doutorado estou desenvolvendo uma pesquisa sobre as contribuições sociais dos estudos sobre práticas de leitura do teórico Roger Chartier, um dos maiores pesquisadores do mundo nessa área. A expectativa é que o principal produto dessa pesquisa seja um livro de diálogos entre mim, minha supervisora e o teórico, além de outros textos publicados em capítulos de livros e revistas. Essa pesquisa em andamento tem me feito refletir muito acerca das práticas de leitura em meio digital em especial as perdas e ganhos com esse formato. Tal estudo é importante para que possamos refletir em políticas públicas que contribuam para a formação de leitores diante do contexto atual.

Quem te inspirou como cientista?

Eu diria que minha mãe me inspirou a ler e a leitura me inspirou a ser cientista. Apesar de pouco estudo, ela sempre entendeu a importância da leitura e fazia questão de comprar livros, enciclopédias de mascates para que tivéssemos a oportunidade de ler e de usar tais materiais para pesquisa já que as bibliotecas escolares nunca foram realidade, especialmente, nas escolas públicas. Desde criança sempre fantasiei essa ideia de ser cientista e cheguei à universidade já com o pensamento voltado para a vida acadêmica e me orgulho hoje de ser professora universitária e cientista.

Qual dica ou recado daria para as meninas e mulheres que desejam seguir a carreira de pesquisadora no Brasil?

Tenho uma filha de 10 anos e o que tenho dito a ela e que pode ser falado para outras meninas é acerca da importância das práticas de leitura. Acima de tudo é preciso ler de tudo: livros, revistas, gibis, notícias etc. Ao mesmo tempo, estar atentas às mídias sociais e suas possibilidades também. Para meninas que estão no ensino médio, as universidades têm aceitado orientar a iniciação científica nessa fase. Então seria bom iniciar sua participação em atividades ofertadas pela universidade de sua cidade e praticar leituras extras-classe. Há diversas fontes de informação na internet e por meio das bibliotecas que podem indicar o que ocorre no mundo científico. Para aquelas meninas que já estão começando um curso de nível superior é importante se envolver nos projetos de pesquisa e extensão dos professores e professoras que atuam nos seus cursos e até mesmo em outros cursos. Importante também é acreditar em si mesma e nunca desistir daquilo que se acredita.


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