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21 de abril de 2020 Postado por: Categoria: Crônicas


Brasília, o nosso presente é você!!

Quando somos convidados para uma festa de aniversário logo vem à mente o que levar de presente? E não seria diferente quando a homenageada nada mais que a capital do país, um sonho realizado com esforços de pessoas vindas das mais diversas regiões do país.

Brasília sua linda, planejada e tombada completa 60 anos e nos demonstra ser uma jovem garota. São tantos fatos e emoções, que tal relembrarmos?
A primeira escola pública de Brasília chamava-se Grupo Escolar 1 e localizava-se na Cidade Livre, atual Candangolândia. Inaugurada em outubro de 1957, pelo Presidente JK e Israel Pinheiro, depois recebeu o nome de Julia Kubitschek em homenagem a mãe do presidente Juscelino Kubitschek. Assim os candanguinhos teriam como aprender não só letramento como também vivenciar a história a ser construída com a nova capital.

Igrejinha

Para  agradecer pelas graças alcançadas como também rogar aos ceús temos: A Igrejinha da 307/308 Sul ou Igreja Nossa Senhora de Fátima que foi o primeiro templo em alvenaria a ser erguido em Brasília, inaugurado em 28 de junho de 1958. Após a pedra fundamental em 26 de outubro de 1957, a igreja foi construída em cem dias, com o objetivo de pagar uma promessa da primeira-dama Sarah Kubitschek, feita para curar sua filha.

Ah a informação também se fez presente nos primórdios de Brasília. Por meio de bancas de jornal e revistas, hoje em dia substituídas pelos meios eletrônicos. A primeira banca fica (até hoje ela perdura) na 108 sul, ou seja nas proximidades da Igrejinha, o seu proprietário é o senhor Lourivaldo Marques.

Catedral

Basta dar um clique e como se fosse um passe de mágica a comida vai até você no sistema Delivery, mas no início não era assim, as refeições eram feitas no restaurante comandado pelo italiano Vitor Pelechia, no fim de 1956. Ficava perto de uma ponte madeira no Núcleo Bandeirantes, chamada então de Cidade Livre, que abrigava os candangos que trabalhavam na construção da capital.

LBV

O primeiro bar era chamado de Maracangalha, em homenagem à canção de Dorival Caymmi, que fazia sucesso na época: “Eu vou pra Maracangalha, eu vou”. O Olga’s Bar, segundo relatos históricos do Arquivo Público do Distrito Federal, era um misto de restaurante e boate, que marcou o início da vida noturna da cidade.

Enganou-se quem pensou que no início de Brasília, os estudantes, operários só poderiam contar com informação vinda dentro das boleias de caminhões a primeira Biblioteca pública de Brasília tem sua história: A BIBLIOTECA VISCONDE DE PORTO SEGURO: A PRIMEIRA BIBLIOTECA DE BRASÍLIA 1958, de uma biblioteca pública nominada Biblioteca eDiscoteca Visconde de Porto Seguro, em homenagem “ao historiador e diplomata Francisco Adolfo Varnhagen, perseverante pesquisador de documentos de bibliotecas, que foi também sertanista e que, em diversos trabalhos, defendeu a interiorização” (BIBLIOTECA, 1959). Inicialmente, a referida biblioteca funcionou na VELHACAP, onde […] Ganhou uma sala na sede da Companhia Urbanizadora de Brasília (NOVACAP), com uma mesa, uma cadeira e uma máquina de escrever.

Com a máquina passou a escrever cartas para livrarias, editoras, escritores e intelectuais, pedindo ajuda e começando assim o milagre da multiplicação dos livros (REZENDE, 2012, n. p.). Em 1959, houve a transferência para W3 Sul. […] que funcionou, de 1959 a 1961, em duas casas geminadas na quadra 707/708 na W3 Sul

O conceito de salva guarda histórico se fez presente pela primeira vez no Museu Histórico de Brasília (Museu da Cidade) integra o Conjunto Cultural Três Poderes. Foi projetado por Oscar Niemeyer e tem por objetivo preservar os trabalhos relativos à história da construção de Brasília. É o museu mais antigo da capital, inaugurado no dia 21 de abril de 1960 – no dia da inauguração da cidade, evento que marcou a transferência oficial da capital do Rio de Janeiro para Brasília.

Quando recebemos convidados vindos de outros estados pensamos sempre nas melhores instalações e dessa forma se deu o primeiro hotel da nossa cidade:

Primeiro hotel da capital, projetado por Oscar Niemeyer, o Brasília Palace foi inaugurado em 30 de junho de 1958.

1o Hotel de Brasília

Era, na ocasião, o primeiro prédio da capital e uma das três primeiras edificações, junto com o Palácio do Planalto e a Igrejinha Nossa Senhora de Fátima. A partir daí passou a ser o QG das equipes de governo na época da construção de Brasília. Uma curiosidade: Em dezembro de 1959 Tom Jobim e Vinícius de Moraes compuseram ali a música Água de beber.

E a pesquisa marota ainda conseguiu montar um vocabulário controlado para nossa Brasília:

  1. AFF :Vem da compressão das palavras de “Ave Maria”, expressão nordestina que para mostrar uma leve indignação sobre algum fato. Exemplo: “Aff, ainda tenho que ir para a academia hoje”.(Se você não é fitness não atrapalhe a minha fitnesa)
  2. BALÃO: A palavra sozinha é apenas um sinônimo de “rotatórias”, como também é conhecido em outras cidades. Se acompanhado do verbo “tomar”, significa ser roubado. Exemplos: “Pegue o balão (a rotatória) e vire à direita.”; “Fulano tomou um balão (foi passado para trás, roubado) do amigo”.
  3. BAÚ, BUSÃO E BUS : Todos são sinônimos para “ônibus”. No caso do “bus” ele é pronunciado como a palavra em inglês. Exemplo: “Vou pegar um baú (ônibus) para a casa de Fulano”.
  4. BLOCO: São os prédios residenciais da cidade. Exemplo: “Fulano mora no Bloco (prédio, edifício) A”.
  5. BOTO FÉ: Como a própria expressão já afirma: trata-se de algo que você concorda, que apoia, que bota fé. Exemplo: “Eu boto fé (apoio) de você conversar com Fulano”.
  6. CABULOSO: Adjetivo para intensificar algo. Pode tratar-se de algo muito bom, muito ruim ou muito complexo. Geralmente usa-se para coisas muito boas. Exemplo: “Fulano é muito cabuloso (extremamente bom) em matemática.”; “Saiu um cheiro cabuloso (muito ruim) do esgoto.”; “Essa prova foi muito cabulosa (difícil, complicada)!”;
  7. CAMELO OU MAGRELA: Gírias criadas em Brasília que são apenas um sinônimo para “bicicleta”. Esta gíria já foi mais utilizada antigamente. Exemplo: “Vou pegar a minha magrela e dar uma volta”. (olha o rolê fitness)
  8. CHEGADO: Trata-se de alguém próximo, podendo ser um colega ou um amigo. Exemplo: “Fulano é meu chegado (amigo)”.
  9. DE ROCHA: A expressão serve como afirmação ou pergunta. Quando utilizada como afirmação quer dizer “É sério / verdade” ou “É legal, de confiança”. Em perguntas, ela significa “Sério? Verdade?”. Exemplos: “Fulano é de rocha (legal, confiável)”; “De rocha (sério?)?”.
  10. ESPARRADO / ESPARROU: Adjetivo para algo muito legal. Em alguns casos, pode servir também pra dizer que algo foi muito “na cara” ou “chamou atenção”. Exemplos: “Fulano tem um carro esparrado (legal, caro, bonito…)”; “Fulano esparrou (chamou atenção por algum motivo) na festa ontem”.
  11. : O mesmo que “cara”, “mano”. Utiliza-se mais ao começar ou terminar uma frase, como se estivesse chamando a pessoa. Exemplo: “Fí (mano), o Fulano disse que ia conversar com você”.
  12. GRAU: Mais uma gíria que serve para qualificar algo positivamente, como por exemplo: “Vamos dar um grau (melhorar) na festa e colocar uma música boa.”;  “Essa cerveja está no grau (gelada, muito boa)”.
  13. MASSA: Sinônimo de “legal”, “maneiro”. Exemplo: “Aquela casa é muito massa (legal)!”
  14. MORGADO: Sensação de estar com preguiça, em casa sem fazer nada. Exemplo: “Esse fim de semana que fiquei morgado (em casa, sem fazer nada).”
  15. PAIA: É uma referência a algo ruim, chato ou, em alguns casos, triste. Exemplo: “Esse restaurante é muito paia (ruim)”.
  16. PAGAR VEXA: É o encurtamento da palavra “vexame”, ou seja, quando alguém passa por um vexame. “Fulano pagou o maior vexa (passou vergonha) na festa”. (aqui faço até uma atualização, o famoso fulano pagou um mico).
  17. PARDAL: Nada mais é do que o equipamento de fiscalização de velocidade. Exemplo: “Cuidado para não tomar multa no pardal (radar)”.
  18. PEGAR O BECO: Significa estar indo embora. Exemplo: “Vamos pegar o beco logo?”.
  19. TESOURINHA: Estilo de rua curva em Brasília que faz o formato de uma tesoura. São formadas como “alças” em um viaduto. Exemplo: “É só pegar a tesourinha que você chega lá”.
  20. UAI / UÉ: Ambas as expressões são de interjeição, ressaltando algo que está sendo dito. Pode ser utilizada como dúvida (Ué?), exclamação (Ué!) e negação (Não, ué). Exemplos: “Uai, mas você não disse que ia?”; “É, ué!”; “Não, ué!”;
  21. VÉI: O mesmo que “cara”, “mano”, “guri” em outras regiões do país. Também serve como expressão de surpresa, perplexidade e muitas vezes tem função de vírgula. Exemplo: “Véi, você vai lá amanhã?”; “Véi!!! Você não sabe o que aconteceu!”; “Ah não, véi”.
  22. ZEBRINHA: Ônibus pequeno que faz apenas linhas circulares e tem listras “estampadas”, como uma zebra. Exemplo: “Vamos pegar uma zebrinha logo” (para aqueles saudosistas, hoje como tudo, ocorreu uma revitalização, hoje podemos dizer que é vintage)

Nada mais justo que partiu véi para o Parque da Cidade, fazer aquela caminhada e ao final encontrar a galera para tomar água de coco. (Claro que quando o isolamento social acabar)

See you ♥♥

Bibliotecária e Cronista Ana Karina Fraga – CRB1/1887


(Pesquisa Marota: http://www.siapark.com.br/blog/2018/02/05/girias-de-brasilia-guia-com-as-expressoes-mais-usadas-pelos-brasilienses/)

1º Hotel de Brasília http://www.revistahotelnews.com.br/portal/noticia.php?id_noticia=1466

 http://www.brasilia.df.gov.br/museu-historico-de-brasilia-museu-da-cidade/

http://bdm.unb.br/bitstream/10483/22347/1/2019_MariaDoSocorroCarneiroSousaMadeira_tcc.pdf

https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/diversao-e-arte/2010/04/15/interna_diversao_arte,186269/a-historia-da-culinaria-de-brasilia-comeca-antes-mesmo-da-inauguracao.shtml

 https://radios.ebc.com.br//tarde-nacional-brasilia/2017/03/primeira-banca-de-jornais-de-brasilia-fara-57-anos-em-abril


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