{"id":50,"date":"2018-01-25T22:01:56","date_gmt":"2018-01-26T00:01:56","guid":{"rendered":"https:\/\/crb1medalha.wordpress.com\/?p=50"},"modified":"2018-01-25T22:01:56","modified_gmt":"2018-01-26T00:01:56","slug":"depoimentos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/crb1.org.br\/mrb\/2018\/01\/depoimentos\/","title":{"rendered":"O bibliotec\u00e1rio modernista"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align:justify;\"><span style=\"text-align:justify;\">Em 1919, diplomado pela Faculdade de Letras de Genebra, Rubens retornou ao Brasil e aproximou-se de M\u00e1rio de Andrade, com quem a fam\u00edlia mantinha la\u00e7os quase familiares. Chegando da Europa com uma grande cole\u00e7\u00e3o de livros modernos na bagagem, de autores que n\u00e3o eram conhecidos no Brasil, Rubens e M\u00e1rio iniciaram uma amizade consolidada na literatura. Enquanto Borba apresentava a M\u00e1rio in\u00fameros escritores franceses, M\u00e1rio apresentou a Borba autores brasileiros sobre os quais ele n\u00e3o possu\u00eda nenhuma informa\u00e7\u00e3o.<\/span><\/div>\n<div id=\"viewlet-below-content\" style=\"text-align:justify;\">\n<p style=\"text-align:justify;\">Nesta \u00e9poca, Andrade reunia-se \u00e0s ter\u00e7as-feiras com os amigos como Rubens, na casa na Rua Lopes Chaves. Desse grupo faziam parte al\u00e9m de M\u00e1rio, Oswald de Andrade, Guilherme de Almeida, Lu\u00eds Aranha, Menotti del Picchia. Juntaram-se mais tarde T\u00e1cito de Almeida, Mariano de Camargo de Aranha, Paulo de Nogueira Filho , Vicente de Azevedo, entre outros.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Embora Rubens seja um modernista nato, ele n\u00e3o participou das festividades da Semana de Arte Moderna de 22 por problemas de sa\u00fade. Na v\u00e9spera, foi acometido de uma febre tifoide que o levou a ficar afastado da vida social por um per\u00edodo de quase dois meses.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Entretanto, Rubens atuou consideravelmente na revista Klaxon, fazendo de tudo, desde assinaturas, an\u00fancios e colabora\u00e7\u00f5es durante os nove meses de exist\u00eancia da revista.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Em 1924, associado a Tasso da Silveira, Rubens Borba lan\u00e7ou-se no campo editorial. Fundou Candeia Azul, uma casa editora, que publicou apenas tr\u00eas livros, com destaque para uma colet\u00e2nea de artigos publicados na Klaxon.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A revolu\u00e7\u00e3o de 1924, um dos levantes armado do tenentismo, eclodiu em S\u00e3o Paulo, sob a lideran\u00e7a do general Isidoro Dias Lopes, explodindo bombas pela cidade que causaram como\u00e7\u00e3o nos cidad\u00e3os comuns e literatos modernos que haviam ocupado o centro de S\u00e3o Paulo apenas para uma revolu\u00e7\u00e3o das artes.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Ap\u00f3s o estardalha\u00e7o causado em S\u00e3o Paulo, aos modernistas foi revelado a realidade da pol\u00edtica nacional e as mazelas da popula\u00e7\u00e3o brasileira que n\u00e3o encontravam resson\u00e2ncias das id\u00e9ias francesas cultivadas pelo grupo.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Foi nesse momento que os modernistas iniciaram um movimento de id\u00e9ias e formaram uma sociedade de discuss\u00f5es e confer\u00eancias sobre os artigos publicados nos jornais do Estado de S\u00e3o Paulo, que visavam esclarecer a opini\u00e3o p\u00fablica para que clamassem por mudan\u00e7as no cen\u00e1rio pol\u00edtico e econ\u00f4mico brasileiro.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Desta sociedade de discuss\u00f5es participavam al\u00e9m de Borba, M\u00e1rio e Oswald de Andrade, Jos\u00e9 Mariano de Camargo Aranha, S\u00e9rgio Millet entre outros. O resultado pr\u00e1tico destas discuss\u00f5es foi um manifesto que relatava a situa\u00e7\u00e3o nacional, que conclamava a ades\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o ao movimento.\u00a0A repercuss\u00e3o intensa e positiva do manifesto publicado no Estado de S\u00e3o Paulo, evoluiu para a cria\u00e7\u00e3o do Partido Democr\u00e1tico de cunho liberal.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Em 1929, Rubens Borba participou do movimento que desencadearia a revolu\u00e7\u00e3o de 1930 com conspirador. Foi escalado para ir at\u00e9 Buenos Aires, como representante do Partido Democr\u00e1tico, convidar Luis Carlos Prestes para chefiar o movimento. Entretanto, n\u00e3o conseguiu a ades\u00e3o de Prestes, que ficou impressionado com o conhecimento do cen\u00e1rio pol\u00edtico e econ\u00f4mico brasileiro que Borba possu\u00eda.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Esta foi a \u00fanica participa\u00e7\u00e3o que teve na Revolu\u00e7\u00e3o de 1930, pois Borba n\u00e3o acreditava que este movimento conseguisse realizar as reformas necess\u00e1rias e depois n\u00e3o quis se unir ao grupo de Prestes por que n\u00e3o acreditava na doutrina comunista. Ademais como ele mesmo dizia \u201cnessa \u00e9poca estava interessado mais em amor do que em pol\u00edtica\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Texto de Suelena Pinto Bandeira<\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 1919, diplomado pela Faculdade de Letras de Genebra, Rubens retornou ao Brasil e aproximou-se de M\u00e1rio de Andrade, com quem a fam\u00edlia mantinha la\u00e7os quase familiares. 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