{"id":487,"date":"2013-04-21T01:05:14","date_gmt":"2013-04-21T04:05:14","guid":{"rendered":"https:\/\/novocrb1.ultramidia.com.br\/o-globo-o-caso-da-biblioteca-nacional\/"},"modified":"2013-04-21T01:05:14","modified_gmt":"2013-04-21T04:05:14","slug":"o-globo-o-caso-da-biblioteca-nacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/crb1.org.br\/site\/2013\/04\/o-globo-o-caso-da-biblioteca-nacional\/","title":{"rendered":"O Globo &#8211; O caso da Biblioteca Nacional"},"content":{"rendered":"<h5>Por\u00a0MARIANA FILGUEIRAS (<a href=\"http:\/\/moglobo.globo.com\/integra.asp?txtUrl=\/cultura\/o-ocaso-da-biblioteca-nacional-7990961\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">O Globo<\/a>)<\/h5>\n<h2><strong style=\"font-family: Tahoma, Helvetica, Arial, sans-serif; font-size: 12px; line-height: 1.3em;\">Os bastidores da crise estrutural que assola a maior institui\u00e7\u00e3o do g\u00eanero na Am\u00e9rica Latina que culminou na queda de seu presidente e os principais problemas que o novo gestor ter\u00e1 que resolver<\/strong><\/h2>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh6.googleusercontent.com\/-qGBMSf71kz4\/UXBltfvk5zI\/AAAAAAAABz8\/C_V0ZksX4q0\/s299\/Biblioteca-Nacional.jpg\" width=\"276\" height=\"189\" style=\"float: left; margin: 3px 6px;\" \/>RIO &#8211; Na \u00faltima ter\u00e7a-feira, a not\u00edcia da demiss\u00e3o do presidente da Funda\u00e7\u00e3o Biblioteca Nacional, Galeno Amorim, pela ministra da Cultura, Marta Suplicy, se n\u00e3o chegou a surpreender (Marta vinha realizando trocas nos \u00f3rg\u00e3os do MinC desde setembro) serviu para chamar aten\u00e7\u00e3o para um problema que vem se arrastando h\u00e1 d\u00e9cadas na maior biblioteca da Am\u00e9rica Latina: a completa precariedade da sua estrutura. Mais importante do que investigar se a degrada\u00e7\u00e3o do acervo que contempla toda a mem\u00f3ria nacional agravou-se na gest\u00e3o do escritor Galeno Amorim (2011-2013), do soci\u00f3logo Muniz Sodr\u00e9 (2006-2011) ou do bibli\u00f3filo Pedro Corr\u00eaa do Lago (2000-2005), s\u00f3 para citar os \u00faltimos presidentes da BN, \u00e9 saber como o pr\u00f3ximo gestor, o cientista pol\u00edtico Renato Lessa, vai encarar os percal\u00e7os que o esperam. Nas duas \u00faltimas semanas, a Revista O GLOBO acompanhou os bastidores da rotina da biblioteca. E pode garantir: n\u00e3o s\u00e3o poucos os problemas.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>A Biblioteca Nacional parou no tempo. Do jeito que est\u00e1, vai perder completamente sua fun\u00e7\u00e3o lamenta o economista, engenheiro e advogado Jos\u00e9 Roberto Fior\u00eancio, que se aposentou h\u00e1 um ano do emprego no BNDES e desde ent\u00e3o frequenta a biblioteca diariamente, das 9h \u00e0s 19h, para pesquisas de interesse pessoal, que v\u00e3o dos recursos h\u00eddricos da Amaz\u00f4nia \u00e0s teorias do fil\u00f3sofo alem\u00e3o Karl Jaspers. Em outros pa\u00edses do mundo, a din\u00e2mica dos moradores com suas bibliotecas \u00e9 muito mais rica. Esta aqui virou um museu, onde o turista, no m\u00e1ximo, conhece numa visita guiada. E nunca mais volta. Os pr\u00f3prios moradores da cidade a ignoram. Ela n\u00e3o faz parte da vida do brasileiro. N\u00e3o h\u00e1 link com as escolas, n\u00e3o s\u00e3o vistos estudantes por aqui. \u00c9 ir\u00f4nico que a BN chegue a esse ponto justamente no ano em que representar\u00e1 o Brasil na maior e mais moderna feira de livros do mundo (o Brasil \u00e9 o pa\u00eds homenageado deste ano na Feira de Frankfurt, na Alemanha).<\/p>\n<p>O p\u00fablico que vive a Biblioteca Nacional \u00e9 variado. H\u00e1 pesquisadores de ocasi\u00e3o, como Jos\u00e9 Roberto, cientistas de ponta, graduandos, turistas, leitores de fim de tarde (muitos), vestibulandos, malucos-beleza, estudantes do ensino b\u00e1sico e do fundamental (poucos), intelectuais estrangeiros, curiosos e at\u00e9 moradores de rua. Todos atravessam dificuldades para usufruir o acervo da biblioteca, a oitava maior do mundo. Os problemas d\u00e3o as caras logo na entrada do pr\u00e9dio hist\u00f3rico, datado de 1910. Desde outubro do ano passado, a suntuosa fachada da institui\u00e7\u00e3o, localizada na Cinel\u00e2ndia, no Centro do Rio, est\u00e1 escondida por estruturas de alum\u00ednio. A medida emergencial \u00e9 para evitar que rebocos do edif\u00edcio malconservado acertem a cabe\u00e7a de um passante, como quase aconteceu em outubro, quando um naco da fachada, do tamanho de uma bisnaga, despencou do alto.<\/p>\n<p>Os problemas seguem biblioteca adentro. Chegando \u00e0 recep\u00e7\u00e3o, os usu\u00e1rios, como s\u00e3o chamados no jarg\u00e3o bibliotec\u00e1rio, apresentam um documento de identifica\u00e7\u00e3o, deixam os pertences num guarda-volumes e passam por catracas de seguran\u00e7a, que deveriam controlar a entrada e sa\u00edda do pr\u00e9dio. Quebradas h\u00e1 mais de um ano, no entanto, as pe\u00e7as t\u00eam efeito meramente c\u00eanico. N\u00e3o registram nada.<\/p>\n<p>De l\u00e1, o frequentador segue at\u00e9 o setor que lhe conv\u00e9m: peri\u00f3dicos, obras gerais, iconografia, cartografia, manuscritos ou obras raras. Com o ar-condicionado inoperante desde maio de 2012, quando houve o rompimento de uma tubula\u00e7\u00e3o do aparelho central (incidente que obrigou bibliotec\u00e1rios a suspender as barras das cal\u00e7as e empunhar rodos para salvar o acervo de um alagamento), o calor \u00e9 a sensa\u00e7\u00e3o primeira, e premente, nos sal\u00f5es da biblioteca.<\/p>\n<p>A dica \u00e9 frequentar a institui\u00e7\u00e3o pela manh\u00e3. \u00c0 tarde, o sol incide diretamente nas claraboias do edif\u00edcio, transformando os sal\u00f5es de leitura numa estufa. O setor de obras raras foi apelidado de micro-ondas pelos leitores. Os ventiladores improvisados , alguns levados de casa pelos pr\u00f3prios funcion\u00e1rios, n\u00e3o d\u00e3o conta.<\/p>\n<p>Gosto de calor, mas sou italiano justifica o diretor do Instituto de Estudos Rom\u00e2nicos da It\u00e1lia, Archimedes Muzi, que todo ano passa um m\u00eas no Rio para fazer pesquisas no acervo da biblioteca. Mas \u00e9 claro que falo isso de brincadeira. Este calor \u00e9 extremamente nocivo para documentos hist\u00f3ricos. Veja s\u00f3 como este livro j\u00e1 est\u00e1 todo enrugado (aponta o volume sobre o qual est\u00e1 debru\u00e7ado, do s\u00e9culo XVIII). Este acervo j\u00e1 deve estar todo comprometido. \u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o inacredit\u00e1vel manter uma biblioteca como esta fora dos padr\u00f5es de climatiza\u00e7\u00e3o (o ideal, segundo as normas, seria manter o ambiente a 22 graus Celsius).<\/p>\n<p>Na tarde do dia 19 de mar\u00e7o, uma ter\u00e7a-feira, Archimede fazia pesquisas no setor de iconografia. Sobre a mesa, seu computador estava conectado a uma tomada da parede. Seria uma cena corriqueira em qualquer biblioteca do mundo, menos na brasileira: aqui, pesquisadores n\u00e3o podem usar as tomadas para carregar seus equipamentos. Se os tablets, computadores ou celulares descarregarem, paci\u00eancia. O jeito \u00e9 pedir para uma das mocinhas da recep\u00e7\u00e3o carregarem rapidinho, sem ningu\u00e9m ver. Ou caminhar at\u00e9 o metr\u00f4 Cinel\u00e2ndia e espetar o aparelho nalguma tomada livre da esta\u00e7\u00e3o. Ou voltar para casa. O aviso est\u00e1 em todas as portas da biblioteca: a medida \u00e9 para n\u00e3o sobrecarregar a rede el\u00e9trica j\u00e1 comprometida. Ainda mais agora, com tantos ventiladores ligados (s\u00e3o cerca de dez aparelhos por sal\u00e3o). Para conquistar o direito, Archimede teve de pedir uma autoriza\u00e7\u00e3o especial, com o argumento de que frequenta a institui\u00e7\u00e3o brasileira h\u00e1 mais de 30 anos.<\/p>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 esteve na Biblioteca Nacional de Paris? De Roma? L\u00e1 o ambiente \u00e9 constru\u00eddo para atrair o pesquisador, para tornar sua experi\u00eancia produtiva. Penso que tomadas para carregar os equipamentos de trabalho s\u00e3o o m\u00ednimo. Ora, quem vai querer ficar estudando dessa maneira aqui dentro? reclama o italiano.<\/p>\n<p>Archimede n\u00e3o imaginava que a situa\u00e7\u00e3o pudesse piorar. Tr\u00eas dias depois, em 22 de mar\u00e7o, os bebedouros foram retirados para manuten\u00e7\u00e3o. Se j\u00e1 morriam de calor, os frequentadores agora n\u00e3o t\u00eam nem mais onde beber \u00e1gua.<\/p>\n<p>\u00c0s vezes, eu me pego pensando: qual o sentido de algu\u00e9m sair de casa no calor e ficar enfurnado aqui lendo um livro? Pelo pre\u00e7o da passagem de \u00f4nibus, o leitor compra um livro de bolso na banca de jornal e l\u00ea em casa admite uma funcion\u00e1ria do setor de pesquisa \u00e0 dist\u00e2ncia, que prefere n\u00e3o se identificar (a Biblioteca Nacional atende a pesquisadores de todo o Brasil e do exterior, que fazem pedidos por e-mail ou telefone).<\/p>\n<p>A funcion\u00e1ria (que no \u00faltimo m\u00eas juntou-se aos colegas do setor numa vaquinha de R$ 1, cada, para a compra de um mouse) parece ter raz\u00e3o. Se a estrutura prec\u00e1ria, que inclui ar-condicionado quebrado, sistema el\u00e9trico e de combate a inc\u00eandio defasados, m\u00e1 conserva\u00e7\u00e3o do edif\u00edcio e dos equipamentos de seguran\u00e7a, \u00e9, hoje, o principal problema enfrentado pela Biblioteca Nacional, a queda do n\u00famero de leitores surge, consequentemente, como outro drama da institui\u00e7\u00e3o. Segundo a Associa\u00e7\u00e3o dos Servidores da Biblioteca Nacional, a baixa no n\u00famero de frequentadores, desde a quebra do ar-condicionado, \u00e9 de mais de 30%.<\/p>\n<p>\u00c9 s\u00f3 passar algumas horas na biblioteca para notar os amplos sal\u00f5es vazios. H\u00e1 setores, como os de<\/p>\n<p> refer\u00eancia e<br \/>\ncartografia, que passam dias sem receber vivalma. A queda da frequ\u00eancia, no entanto, \u00e9 contestada pela institui\u00e7\u00e3o. De acordo com dados atuais da BN, 736 mil pessoas estiveram l\u00e1 em 2011 e 755 mil em 2012, uma m\u00e9dia de dois mil usu\u00e1rios por dia.<\/p>\n<p>No setor de peri\u00f3dicos, os problemas est\u00e3o jogados pelo sal\u00e3o. H\u00e1 20 computadores novinhos, desligados, tomando poeira, diante de m\u00e1quinas de microfilmes que funcionam a manivela. Os ventiladores dividem o ch\u00e3o com as caixas de livros amontoadas por falta de espa\u00e7o nos armaz\u00e9ns do edif\u00edcio.<\/p>\n<p>Frequento a BN h\u00e1 12 anos. Nunca vi a casa numa situa\u00e7\u00e3o t\u00e3o prec\u00e1ria diz o historiador Eduardo Cavalcanti, que pesquisa a constru\u00e7\u00e3o do racismo no futebol. Muitas vezes eu n\u00e3o pude ter acesso aos microfilmes por causa do calor. Sob altas temperaturas, eles podem avinagrar, ou seja, colar nas lentes, sendo danificados para sempre. E a pesquisa fica parada.<\/p>\n<p>Colega de Eduardo nas m\u00e1quinas de microfilmes, o escritor Marco Aur\u00e9lio Barroso, de 67 anos, frequenta a institui\u00e7\u00e3o diariamente desde 1999. A pesquisa no acervo j\u00e1 gerou tr\u00eas livros, entre eles, a biografia do cantor Nelson Gon\u00e7alves, A revolta do bo\u00eamio, em 2002. A recarga do seu laptop ele faz num restaurante, quando sai para almo\u00e7ar. Marco \u00e9 incisivo nas cr\u00edticas.<\/p>\n<p>H\u00e1 dois problemas principais na biblioteca: a falta de conserva\u00e7\u00e3o do acervo e uma sequ\u00eancia de diretores que vem de fora e n\u00e3o conhece a institui\u00e7\u00e3o. Por isso, ela chegou ao ponto em que est\u00e1. Eu estou aqui todos os dias e nunca vi um diretor descer do gabinete para conversar com os pesquisadores lamenta Marco Aur\u00e9lio, que atualmente faz uma varredura em peri\u00f3dicos de 1910 aos dias atuais para um novo livro, o que o fez constatar que muitas edi\u00e7\u00f5es de jornais importantes das d\u00e9cadas de 1930 e 1940 j\u00e1 est\u00e3o perdidos.<\/p>\n<p>A lista de pesquisas atravancadas pelas p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es do acervo \u00e9 extensa. Doutoranda em Ci\u00eancias Culturais da Universidade Livre de Berlim, a alem\u00e3 Christina Peters, de 32 anos, passou tr\u00eas per\u00edodos da sua p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o mergulhada nos documentos da BN. N\u00e3o conseguiu concluir o trabalho.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel copiar ou escanear a partir dos microfilmes, como \u00e9 na Unicamp. Tamb\u00e9m n\u00e3o podemos tirar fotos, como no Arquivo do Estado de S\u00e3o Paulo. Para reprodu\u00e7\u00e3o do material antigo, temos que pagar R$ 4 por p\u00e1gina, e o pedido \u00e9 lento e burocr\u00e1tico detalha Christina.<\/p>\n<p>Nem precisa ser \u00edntimo das estantes da Cinel\u00e2ndia para criticar a institui\u00e7\u00e3o. Na \u00faltima segunda-feira, o estudante de Desenho Industrial Thiago Crespo, de 24 anos, foi \u00e0 BN pela primeira vez. Para concluir sua monografia sobre design automotivo, buscava revistas de transportes dos anos 60. Encontrou o que queria, s\u00f3 n\u00e3o conseguiu ficar debru\u00e7ado sobre os volumes, copiando desenhos a l\u00e1pis (\u00e9 proibido usar caneta).<\/p>\n<p>\u00c9 imposs\u00edvel com esse calor.<\/p>\n<p>Do outro lado do sal\u00e3o dos peri\u00f3dicos, est\u00e1 o de obras gerais. \u00c9 onde os usu\u00e1rios encontram os mais diversos t\u00edtulos. H\u00e1 uma senhora que todas as sextas-feiras consulta manuais de bruxaria. Um leitor que s\u00f3 pede Agatha Christie. O cantor e compositor underground Rog\u00e9rio Skylab pode ser visto l\u00e1 pelo menos uma vez por semana, desde os 17 anos. E foi naquele sal\u00e3o que o poeta Carlos Drummond de Andrade apossou-se da mesa 4 para fazer suas leituras di\u00e1rias.<\/p>\n<p>Apenas quatro computadores, de um total de 20, servem aos leitores que querem encontrar as obras no sistema de dados da institui\u00e7\u00e3o. Nenhum com internet. Apesar de ter digitalizado boa parte do seu acervo de peri\u00f3dicos, inaugurando em agosto o projeto Hemeroteca Digital, a BN n\u00e3o tem rede wi-fi.<\/p>\n<p>Se o estado geral da sede \u00e9 desolador, mais ainda \u00e9 o do chamado pr\u00e9dio anexo, um velho galp\u00e3o, na Zona Portu\u00e1ria, que serve para guardar o que n\u00e3o cabe mais no pr\u00e9dio principal. Pela Lei do Dep\u00f3sito Legal, toda publica\u00e7\u00e3o brasileira deve ter um exemplar arquivado na BN. Por dia, chegam 150 livros. De jornais, do Di\u00e1rio de Caratinga \u00e0 Gazeta de Alagoas, chega o equivalente a uma banca por dia. Vai tudo para o tal espa\u00e7o, de 16 mil metros quadrados, que poderia ser usado como cen\u00e1rio de filmes de guerra, como se os jornais empilhados formassem trincheiras.<\/p>\n<p>O local est\u00e1 sujeito a um desastre a qualquer momento. N\u00e3o h\u00e1 sa\u00edda de emerg\u00eancia, os telhados t\u00eam infiltra\u00e7\u00f5es, as janelas est\u00e3o quebradas, e n\u00e3o h\u00e1 qualquer sistema de combate a inc\u00eandios. Em julho, parte do piso cedeu. Em outubro, houve um princ\u00edpio de inc\u00eandio, amainado pelos pr\u00f3prios servidores. Eles comparam a falta de seguran\u00e7a do local \u00e0 da boate Kiss, cen\u00e1rio do inc\u00eandio que vitimou 241 pessoas em janeiro. \u00c9 nesse estado que est\u00e3o estocadas cole\u00e7\u00f5es preciosas da BN, como a de hist\u00f3rias em quadrinhos das mais completas do mundo.<\/p>\n<p>Com as obras do Porto Maravilha no entorno, o anexo virou uma ilha cercada de poeira por todos os lados compara um dos funcion\u00e1rios, sem se identificar. Manter tudo higienizado \u00e9 enxugar gelo.<\/p>\n<p>Entre os servidores, a insatisfa\u00e7\u00e3o com a gest\u00e3o de Galeno vinha desde a incorpora\u00e7\u00e3o da Diretoria de Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas (DLLLB) pela Funda\u00e7\u00e3o Biblioteca Nacional, logo depois da sua posse. De acordo com os funcion\u00e1rios, a medida tirava o foco da administra\u00e7\u00e3o da biblioteca. A crise apertou depois do acidente com o ar-condicionado, em maio. Houve a queda do reboco, em outubro, e a paralisa\u00e7\u00e3o dos funcion\u00e1rios, para pleitear melhorias das condi\u00e7\u00f5es de trabalho, em janeiro. No \u00faltimo dia 22, duas servidoras apresentaram cartas de demiss\u00e3o com fortes cr\u00edticas \u00e0 gest\u00e3o do presidente.<\/p>\n<p>No dia em que foi demitido, Galeno Amorim deixou com Marta Suplicy um relat\u00f3rio que batizou de BN+200. No documento, reconhece a s\u00e9rie de problemas enfrentados durante sua gest\u00e3o, exalta os feitos (como a amplia\u00e7\u00e3o do acervo digitalizado) e aponta o caminho que deve ser tomado pelo pr\u00f3ximo gestor, com prazos que v\u00e3o de 2014 a 2022. Na lista de desafios, iniciar as reformas para transformar o anexo num local adequado para guardar 80% do acervo da BN e reestruturar completamente o pr\u00e9dio-sede. Para isso, a ministra da Cultura j\u00e1 havia anunciado, em setembro, a libera\u00e7\u00e3o de R$ 70 milh\u00f5es do BNDES.<\/p>\n<p>A Biblioteca Nacional precisa de uma interven\u00e7\u00e3o forte. N\u00e3o bastam a\u00e7\u00f5es pontuais. S\u00f3 agora, por exemplo, foram feitos os testes finais para p\u00f4r em funcionamento o sistema wi-fi e instalar o primeiro data center da hist\u00f3ria da institui\u00e7\u00e3o. Acaba este m\u00eas o projeto executivo para toda a reforma el\u00e9trica do pr\u00e9dio. Vi isso de in\u00edcio e iniciei os procedimentos necess\u00e1rios para mudar o quadro. Os resultados aparecer\u00e3o declarou Galeno, logo ap\u00f3s ser afastado do cargo.<\/p>\n<p>\u00c9 esperar para ver.<\/p>\n<p><strong style=\"font-family: Tahoma, Helvetica, Arial, sans-serif; font-size: 12px; line-height: 1.3em;\">\u00a0<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por\u00a0MARIANA FILGUEIRAS (O Globo) Os bastidores da crise estrutural que assola a maior institui\u00e7\u00e3o do g\u00eanero na Am\u00e9rica Latina que culminou na queda de seu presidente e os principais problemas que o novo gestor ter\u00e1 que resolver RIO &#8211; Na \u00faltima ter\u00e7a-feira, a not\u00edcia da demiss\u00e3o do presidente da Funda\u00e7\u00e3o Biblioteca Nacional, Galeno Amorim, pela [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-487","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/crb1.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/487","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/crb1.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/crb1.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/crb1.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/crb1.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=487"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/crb1.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/487\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/crb1.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=487"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/crb1.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=487"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/crb1.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=487"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}