{"id":7244,"date":"2017-02-06T14:37:10","date_gmt":"2017-02-06T16:37:10","guid":{"rendered":"https:\/\/crb1.org.br\/?p=1356"},"modified":"2017-02-06T14:37:10","modified_gmt":"2017-02-06T16:37:10","slug":"investir-no-sistema-nacional-de-bibliotecas-publicas-e-uma-das-prioridades-da-gestao-de-cristian-brayner-no-dlllb","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/crb1.org.br\/site\/2017\/02\/investir-no-sistema-nacional-de-bibliotecas-publicas-e-uma-das-prioridades-da-gestao-de-cristian-brayner-no-dlllb\/","title":{"rendered":"Investir no Sistema Nacional de Bibliotecas P\u00fablicas \u00e9 uma das prioridades da gest\u00e3o de Cristian Brayner no DLLLB"},"content":{"rendered":"<header>\n<figure id=\"attachment_30092\" aria-describedby=\"caption-attachment-30092\" style=\"width: 445px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-30092 size-full\" src=\"http:\/\/biblioo.info\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/cristian-texto.jpg\" sizes=\"(max-width: 445px) 100vw, 445px\" srcset=\"http:\/\/biblioo.info\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/cristian-texto.jpg 445w, http:\/\/biblioo.info\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/cristian-texto-768x465.jpg 768w\" width=\"445\" height=\"270\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-30092\" class=\"wp-caption-text\">Cristian Brayner no audit\u00f3rio do CCBB-RJ \/ Foto: Chico de Paula<\/figcaption><\/figure><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Al\u00e9m disso, ele pretende \u201cempoderar\u201d os comit\u00eas do Programa Nacional de Incentivo \u00e0 Leitura (Proler), intensificar a presen\u00e7a do Brasil nas feiras internacionais do livro e reabrir a Biblioteca Demonstrativa de Bras\u00edlia<\/em><\/p>\n<p class=\"entry-title\">O \u201csim\u201d de Cristian Brayner ao chamado do ministro da Cultura, Roberto Freire, nomeado ao cargo no lugar de Marcelo Calero ap\u00f3s pol\u00eamica envolvendo o tamb\u00e9m agora ex-ministro Gedel Vieira Lima, n\u00e3o soou bem entre muitos bibliotec\u00e1rios. Nas redes sociais muitos destes profissionais se pronunciaram de forma cr\u00edtica ao novo diretor do DLLLB.<\/p>\n<p class=\"entry-title\" style=\"text-align: left;\">Mas apesar disso, Cristian garante que n\u00e3o foram apenas cr\u00edticas negativas que recebeu em fun\u00e7\u00e3o do seu aceite ao cargo: \u201cParece-me que a maioria dos bibliotec\u00e1rios se alegrou com a nomea\u00e7\u00e3o de um colega de profiss\u00e3o para o posto. O pr\u00f3prio Conselho Federal de Biblioteconomia oficiou ao ministro, parabenizando-o pela escolha.\u201d Nesta entrevista o bibliotec\u00e1rio que iniciou sua vida liter\u00e1ria em uma biblioteca da periferia de Bras\u00edlia, vindo a tornar-se bibliotec\u00e1rio, primeiro do Superior Tribunal de Justi\u00e7a e depois da C\u00e2mara dos Deputados, fala, entre outras coisas, sobre os desafios \u00e0 frente da pasta que acaba de assumir.<\/p>\n<p class=\"entry-title\" style=\"text-align: left;\">Entre estes desafios est\u00e1 o de revitalizar o Sistema Nacional de Bibliotecas P\u00fablicas (SNBP), \u201cempoderar\u201d os comit\u00eas do Programa Nacional de Incentivo \u00e0 Leitura (Proler), al\u00e9m de intensificar a presen\u00e7a do Brasil nas feiras internacionais do livro e reabrir a Biblioteca Demonstrativa de Bras\u00edlia.<\/p>\n<p class=\"entry-title\" style=\"text-align: left;\"><em>Conte um pouco como come\u00e7ou sua hist\u00f3ria com a leitura e por qual motivo escolheu ser um bibliotec\u00e1rio.<\/em><\/p>\n<\/header>\n<div class=\"entry-content clearfix\">\nH\u00e1 quatro \u201ccausas primeiras\u201d em minha trajet\u00f3ria como leitor: 1) a primeira visita a uma biblioteca; 2) o primeiro livro ganho de presente; 3) o \u201cconcurso\u201d de maior leitor da escola; 4) o deleite em consultar verbetes em enciclop\u00e9dias.<br \/>\nAos seis anos de idade, minha irm\u00e3 mais velha me levou \u00e0 Biblioteca \u00c9rico Ver\u00edssimo, localizada em Brazl\u00e2ndia, cidade sat\u00e9lite de Bras\u00edlia. De m\u00e3os coladas, permaneci durante todo o trajeto sob a sua cust\u00f3dia. L\u00e1 dentro, me foi permitido ir sozinho \u00e0s estantes. Tornei-me leitor naquele momento, anos antes de ser alfabetizado. \u00c9 que a palavra \u201cler\u201d vem do latim <em>legere <\/em>e quer dizer \u201cescolher\u201d. Decidi pela <em>A Arca de No\u00e9<\/em>, atra\u00eddo pela capa colorida. Ao suplicar a ela que relesse o mito do dil\u00favio pela quarta vez, recebi um \u201cn\u00e3o\u201d sussurrado. Restou-me violar a lei do sil\u00eancio com uma lam\u00faria de carpideira digna de um Oscar.<br \/>\nJ\u00e1 alfabetizado, ganhei do seu Barata, velhinho portugu\u00eas que morava ao lado de minha casa, <em>O Cesto de Juncos<\/em>. Guardava o livrinho numa caixa de sapatos, como uma esp\u00e9cie de relic\u00e1rio. Na adolesc\u00eancia, disputava com quatro meninos da escola o posto de maior leitor da turma. Embora n\u00e3o houvesse pr\u00eamio algum, lev\u00e1vamos a competi\u00e7\u00e3o muito a s\u00e9rio.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nDesde <em>A Arca de No\u00e9<\/em> at\u00e9 o in\u00edcio do bacharelado em biblioteconomia, minha vida gravitou em torno da \u00c9rico Ver\u00edssimo, biblioteca suburbana que, embora sem bibliotec\u00e1rio e com um acervo min\u00fasculo, gerava em mim uma sensa\u00e7\u00e3o de perten\u00e7a. Era muito querido pelas professoras e me familiarizei, rapidamente, com a ordena\u00e7\u00e3o dos livros nas estantes. O sil\u00eancio outorgava um car\u00e1ter quase sagrado ao lugar, o que me levava a perdoar o tom raivoso dirigido aos meninos algazarreiros.<br \/>\nAdorava o cheiro de limpeza, o friozinho do piso de ard\u00f3sia, o areado das canecas de alum\u00ednio e o verde do jardim de inverno. Era l\u00e1 que consumia as tardes, consultando os verbetes da <em>Barsa<\/em> e da <em>Larousse<\/em>, num cont\u00ednuo \u201csenta e levanta\u201d \u00e0 estante de refer\u00eancia, motivado a encontrar em alguma das cole\u00e7\u00f5es um verbete mais dif\u00edcil. N\u00e3o deixa de ser curioso imaginar que estava, de certo modo, me preparando para ocupar, anos mais tarde, o posto de bibliotec\u00e1rio de refer\u00eancia da Biblioteca do Superior Tribunal de Justi\u00e7a.<br \/>\nQuanto \u00e0 ser bibliotec\u00e1rio, devo a escolha a dois personagens bibliotec\u00e1rios de Umberto Eco. Explico-me: no \u00faltimo ano do n\u00edvel m\u00e9dio, desejava prestar o vestibular para hist\u00f3ria, minha disciplina predileta. Os meu professores, sequelados com a desvaloriza\u00e7\u00e3o do magist\u00e9rio, me desaconselhavam trilhar essa <em>via crucis<\/em>. E foi nesse clima de incerteza que alguns alunos da Unesp visitaram meu col\u00e9gio, me presenteando com um guia de profiss\u00f5es incluindo a biblioteconomia. O curso era apresentado como um <em>mix<\/em> de t\u00e9cnicas e teorias envolvendo administra\u00e7\u00e3o e lingu\u00edstica, com uma boa dose de l\u00ednguas estrangeiras e, mesmo, psicologia. Achei interessante. Entretanto, s\u00f3 me apaixonei pela biblioteconomia ao ler <em>O Nome da Rosa<\/em>. Foram eles, Bereng\u00e1rio de Aranduel e Malaquias de Hildesheim, os grandes respons\u00e1veis pela minha decis\u00e3o.<br \/>\n<strong><em>Como voc\u00ea avalia a biblioteconomia atual? Na sua concep\u00e7\u00e3o, quais s\u00e3o os desafios que se apresentam para o profissional que pretende atuar nessa \u00e1rea?<\/em><\/strong><br \/>\nA biblioteconomia tem um enorme potencial de ganhar protagonismo na contemporaneidade, especialmente se a biblioteca tomar para si os desafios da sociedade da mensagem, caracterizada pela descentraliza\u00e7\u00e3o dos canais de comunica\u00e7\u00e3o e pelo excesso de possibilidades. Embora a biblioteca tenha perdido o seu monop\u00f3lio enquanto entidade detentora das fontes, ela pode se investir do papel de confrontar vozes, questionando a pr\u00f3pria hierarquiza\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o, da legitimidade de quem produz discurso e de quem o consome.<br \/>\nO fato de lidarmos, fundamentalmente, com a cria\u00e7\u00e3o de metadados \u2013 o bibliotec\u00e1rio, quer saiba, quer n\u00e3o, \u00e9 um (re)produtor de discursos \u2013 deveria nos converter em <em>experts<\/em> da rela\u00e7\u00e3o entre poder e saber, propensos a questionar os limites fronteiri\u00e7os entre verdadeiro e falso, belo e feio, claro e escuro. E aqui est\u00e1 o nosso calcanhar de Aquiles: a forma\u00e7\u00e3o. O tecnicismo impera na gradua\u00e7\u00e3o e, ap\u00f3s 17 anos atuando na \u00e1rea, ouso dizer que ele nos sequelou, terrivelmente. Estou convencido de que podemos oferecer ao pa\u00eds muito mais do que planilhas em formato MARC impecavelmente preenchidas ou bibliografias consoantes \u00e0 NBR 6023.<br \/>\nLonge de mim negar ou diminuir a relev\u00e2ncia das atividades envolvidas na sele\u00e7\u00e3o, tratamento e dissemina\u00e7\u00e3o de nossas cole\u00e7\u00f5es. O que, talvez, mere\u00e7a considera\u00e7\u00e3o da nossa parte \u00e9 questionar at\u00e9 que ponto a supervalora\u00e7\u00e3o da t\u00e9cnica, que eleva o acervo ao <em>status<\/em> de protagonista, trouxe benef\u00edcios para a sociedade brasileira. Nossos congressos e confer\u00eancias gravitam em torno de trabalhos envolvendo maquinarias e formas de oper\u00e1-las. Sinto um vazio em rela\u00e7\u00e3o a estudos que problematizem, seriamente, o impacto da biblioteca na realidade social, econ\u00f4mica e cultural de nosso pa\u00eds. Quando a t\u00e9cnica, incluindo as nossas linguagens, ignora o outro enquanto sujeito em cont\u00ednua forma\u00e7\u00e3o, a biblioteca entra num ciclo perigoso de desagrega\u00e7\u00e3o que tende a culminar no colapso institucional. E c\u00e1 entre n\u00f3s: n\u00e3o \u00e9 de todo raro bibliotecas sofrerem de esquizofrenia social, adotando receitas que se mostraram insustent\u00e1veis. Nesse sentido, temos muito o que aprender com as livrarias e, mesmo, os museus, mais propensos a acolher o novo em detrimento de pr\u00e1ticas discursivas complicadas e pouco funcionais. Como mudar essa realidade? Aposto na ideia de que um bibliotec\u00e1rio bem preparado na universidade e disposto a estudar continuamente, tende a ser mais h\u00e1bil na leitura de cen\u00e1rios. \u00c9 o que dizia Guimar\u00e3es Rosa: \u201cPassarinho que debru\u00e7a \u2013 o v\u00f4o j\u00e1 est\u00e1 pronto.\u201d<br \/>\nO saudoso Edson Nery j\u00e1 dizia, num tom provocativo: \u201cOs bibliotec\u00e1rios mais ignorantes que me perdoem, mas cultura \u00e9 fundamental.\u201d Encaro a cultura como um estado cont\u00ednuo de tens\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao outro, que se me apresenta em cores, g\u00eaneros, sotaques e desejos polimorfos. A empatia produz mobilidade institucional e pode ser aprendida at\u00e9 certo ponto. A Universidade de Washington vai oferecer um curso de justi\u00e7a social para os bibliotec\u00e1rios norteamericanos buscando capacit\u00e1-los a combater as pr\u00e1ticas de viol\u00eancia racial, de g\u00eanero, orienta\u00e7\u00e3o sexual e de classe social. Talvez seria um bom come\u00e7o para n\u00f3s, aqui no Brasil.<br \/>\n<strong><em>Voc\u00ea poderia falar sobre o seu projeto da Biblioteca da Diversidade? Em que ele consiste?<\/em><\/strong><br \/>\nNuma manh\u00e3 de domingo, li no jornal que, a cada 28 horas, um homossexual \u00e9 assassinado no Brasil, o que nos leva a ocupar o topo do ranking de viol\u00eancia contra as minorias sexuais. Os homossexuais s\u00e3o, provavelmente, a minoria mais vitimada em nosso pa\u00eds. E pensei: h\u00e1 algo que posso fazer, enquanto bibliotec\u00e1rio, para que essa realidade de viol\u00eancia mude? Por que n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7os culturais destinados a cultivar a diversidade como elemento configurador da natureza humana? Ser\u00e1 a primeira Biblioteca com esse objetivo no pa\u00eds. A Biblioteca da Diversidade \u00e9 fruto da sensibilidade frente ao Outro.<br \/>\nMuitos colegas lamentam o estado invis\u00edvel em que a profiss\u00e3o se encontra mergulhada. Talvez isso se deva ao pouco interesse em investir na alteridade. Pessoas n\u00e3o podem ser reduzidas a cifras. O sofrimento da comunidade LGBTI \u00e9 concreto, e nosso sil\u00eancio c\u00ednico, quase debochado, intensifica a dor dos que est\u00e3o do lado de fora de nossos muros f\u00edsicos e, principalmente, simb\u00f3licos.<br \/>\nA Biblioteca, em fase de registro, \u00e9 uma associa\u00e7\u00e3o de direito privado sem fins lucrativos, notadamente aut\u00f4noma, n\u00e3o sendo vinculada a partidos pol\u00edticos, grupos religiosos e\/ou qualquer entidade ou filosofia. Seus objetivos s\u00e3o: a) oferecer um acervo bibliogr\u00e1fico destinado a atender as necessidades das minorias sexuais; b) propiciar uma gama de produtos e servi\u00e7os de informa\u00e7\u00e3o destinados a promover a diversidade sexual; c) promover cursos, semin\u00e1rios, f\u00f3runs de debates e encontros que atendam \u00e0s necessidades de aprofundamento dos temas envolvendo g\u00eanero e orienta\u00e7\u00e3o sexual; d) buscar junto aos \u00f3rg\u00e3os governamentais apoio \u00e0s atividades pertinentes \u00e0 diversidade sexual.<br \/>\nO nosso acervo, embora ainda modesto em n\u00famero de exemplares \u2013 s\u00e3o cerca de 600 itens \u2013, abarca todas as \u00e1reas do conhecimento envolvendo tem\u00e1ticas\u00a0LGBTIs, como literatura, filosofia, ci\u00eancias sociais e artes. Os usu\u00e1rios encontrar\u00e3o desde textos cl\u00e1ssicos latinos, como\u00a0<em>Sat\u00edricon<\/em>, de Petr\u00f4nio, a revistas em quadrinhos. Tamb\u00e9m possu\u00edmos uma boa cole\u00e7\u00e3o de filmes, como\u00a0<em>Laurence Anyways<\/em>\u00a0e o brasileiro\u00a0<em>Hoje Eu Quero Voltar Sozinho<\/em>. Todo o acervo \u00e9 fruto de doa\u00e7\u00f5es.<br \/>\nComo a\u00a0Biblioteca\u00a0ainda n\u00e3o tenha sede pr\u00f3pria, ela est\u00e1 funcionando, provisoriamente, em minha casa. Qualquer pessoa pode visit\u00e1-la. Basta agendar um hor\u00e1rio (<a href=\"mailto:bibliotecadadiversidade@gmail.com\">bibliotecadadiversidade@gmail.com<\/a>). Ofere\u00e7o uma x\u00edcara de caf\u00e9 fresquinho e apresento o projeto. Aos poucos, as pessoas v\u00e3o se sensibilizando a respeito\u00a0da\u00a0import\u00e2ncia de se criar um centro de informa\u00e7\u00e3o destinado a discutir a\u00a0diversidade\u00a0sexual. Isso me parece muito importante no quadro atual, onde temos presenciado diversos atentados aos direitos humanos. Embora tenhamos a maior parada\u00a0gay\u00a0do mundo,\u00a0o\u00a0Brasil \u00e9 campe\u00e3o em assassinatos\u00a0da popula\u00e7\u00e3o\u00a0LGBTI, segundo dados\u00a0da\u00a0<em>International Lesbian and\u00a0Gay\u00a0Association<\/em>. Estou convencido que a ignor\u00e2ncia produz \u00f3dio e que o conhecimento gera liberdade individual e coletiva. Defendo que a biblioteca tem um papel importante em responder aos sinais dos tempos, t\u00e3o profundamente marcado pela viol\u00eancia. Como o soci\u00f3logo Zygmunt Bauman, defendo que a toler\u00e2ncia, naturalmente\u00a0egoc\u00eantrica e contemplativa, n\u00e3o \u00e9 o bastante. Ela deve ceder o seu lugar para a solidariedade, socialmente orientada e militante.<br \/>\nPara dar visibilidade ao projeto, produzi um calend\u00e1rio. Convidei alguns bibliotec\u00e1rios e estudantes de biblioteconomia para posarem e eles toparam. Centenas de colegas manifestaram interesse em apoiar. Uma comiss\u00e3o selecionou as doze fotografias que visibilizaram uma variedade de corpos , cores e regi\u00f5es dos \u201cbibliotec\u00e1rios modelos\u201d. Tanto os modelos, quanto os fot\u00f3grafos foram volunt\u00e1rios. A tempo: ao trazer colegas para as p\u00e1ginas do calend\u00e1rio, conseguimos arrecadar algum dinheiro, visibilizamos o projeto e questionamos no \u00e2mbito da classe a neutralidade que ainda impera em nossas bibliotecas quanto ao exerc\u00edcio profissional, inclusive fissurando o clich\u00ea do bibliotec\u00e1rio como um tipo assexuado, atrelado \u00e0 moral vigente. Em 2016 discutimos a pretensa dos sujeitos masculinos na profiss\u00e3o e para 2017 discutiremos as rela\u00e7\u00f5es afetivas poss\u00edveis de serem configuradas entre as pessoas.<br \/>\nSonho com um espa\u00e7o efetivamente plural, frequentado por jovens e adultos, estudantes e trabalhadores, heterossexuais e homossexuais. Para isso, \u00e9 fundamental que a\u00a0Biblioteca\u00a0da\u00a0Diversidade\u00a0esteja localizada no cora\u00e7\u00e3o de Bras\u00edlia, garantindo a todos acesso f\u00e1cil aos livros, filmes, palestras e cursos.<br \/>\nDesejo adquirir uma loja na W 3 Sul ou Norte (quadras 500s), ou, quem sabe, no Conic, no centro de Bras\u00edlia. S\u00f3 que n\u00e3o tenho, sequer, um centavo. De todo modo, j\u00e1 estabeleci a data de inaugura\u00e7\u00e3o\u00a0da\u00a0Biblioteca: 7 de outubro de 2017. H\u00e1 uma raz\u00e3o especial para a data: nesse dia se celebra a festa de S\u00e3o S\u00e9rgio e S\u00e3o Baco, soldados crist\u00e3os do ex\u00e9rcito do imperador romano Maximiano (286-305).\u00a0 Segundo John Boswell, historiador\u00a0da Universidade de Yale (EUA), eles formavam um casal, respeitado, inclusive, pela pr\u00f3pria Igreja. O tempo \u00e9 curto, mas n\u00e3o temo. Apoio-me na solidariedade das pessoas. Alguns famosos j\u00e1 manifestaram ajuda irrestrita ao projeto, como a Gl\u00f3ria Pires, que fez quest\u00e3o de nos enviar um v\u00eddeo. Quem sabe se, depois dessa mat\u00e9ria, algum empres\u00e1rio nos doe o terreno para erigir a biblioteca?<br \/>\n<strong><em>Quais s\u00e3o os desafios que se apresentam para sua gest\u00e3o no DLLLB e de que forma voc\u00ea pretende desenvolver suas a\u00e7\u00f5es em um contexto de desmantelamento do setor cultural do pa\u00eds?<\/em><\/strong><br \/>\nAcho question\u00e1vel falar em \u201cdesmantelamento do setor cultural do pa\u00eds\u201d. Identifico na afirma\u00e7\u00e3o uma poss\u00edvel tentativa de nacionalizar o problema, em particular das bibliotecas. Os dados comprovam que a crise econ\u00f4mica tem criado desafios enormes para a manuten\u00e7\u00e3o das bibliotecas do mundo inteiro. Apenas nos \u00faltimo seis anos, 343 bibliotecas do Reino Unido foram fechadas, resultando na demiss\u00e3o de oito mil bibliotec\u00e1rios. Isso representa nada menos que 25% dos postos de bibliotec\u00e1rios daquele pa\u00eds. Ano passado, os bibliotec\u00e1rios americanos manifestaram profundo desapontamento com o presidente Obama pelo corte de 1 milh\u00e3o de d\u00f3lares destinados \u00e0s bibliotecas.<br \/>\nA poderosa <em>American Library Association<\/em> n\u00e3o se fez de rogada e sentenciou: \u201co or\u00e7amento do Presidente n\u00e3o reconhece o valor que as bibliotecas produzem para o nosso pa\u00eds.\u201d Com isso, n\u00e3o quero naturalizar qualquer redu\u00e7\u00e3o de investimento no setor cultural, mas, simplesmente, reconhecer que o quadro global nos imp\u00f5e adotar novas posturas. Voc\u00ea evocou \u201cdesafios\u201d, no plural. Gosto disso, pois fica impl\u00edcito que o or\u00e7amento modesto, embora seja um grande problema, n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico. Pois citarei outro, t\u00e3o grave quanto: as bibliotecas brasileiras atuam, em sua grande maioria, como ilhas, nutrindo-se de seus pr\u00f3prios sucessos e fracassos.<br \/>\nFrente a essa triste realidade eg\u00f3latra e suicida, estamos atuando no sentido de fomentar pr\u00e1ticas cooperativas entre elas. Investir no Sistema Nacional de Bibliotecas P\u00fablicas (SNBP) \u00e9 uma das prioridades dessa gest\u00e3o. N\u00e3o se trata, simplesmente, de apoiar as seis mil bibliotecas que comp\u00f5em o SNBP em suas dificuldades financeira, como fez, recentemente, o ministro Roberto Freire, ao transferir R$ 1 milh\u00e3o para as Bibliotecas Parque, mas de permitir que elas firmem entre si estrat\u00e9gias gerenciais e intelectuais, otimizando recursos e potencializando os seus ganhos.<br \/>\n<strong><em>Voc\u00ea foi bastante criticado nas redes socais ap\u00f3s assumir a dire\u00e7\u00e3o do DLLLB. Como voc\u00ea recebeu ou est\u00e1 recebendo estas cr\u00edticas?<\/em><\/strong><br \/>\nSou grato pelos votos de parab\u00e9ns e de sucesso que recebi de bibliotec\u00e1rios, editores, livreiros e intelectuais de todo o pa\u00eds. Parece-me que a maioria dos bibliotec\u00e1rios se alegrou com a nomea\u00e7\u00e3o de um colega de profiss\u00e3o para o posto. O pr\u00f3prio Conselho Federal de Biblioteconomia oficiou ao ministro [da Cultura, Roberto Freire], parabenizando-o pela escolha. Quanto \u00e0s cr\u00edticas, recebo-as com o devido respeito, fazendo-as passar pelo crivo do que o fil\u00f3sofo Quine intitulou de Princ\u00edpio da Caridade. Do que se trata? Valorar ao m\u00e1ximo o que h\u00e1 de verdadeiro no discurso do outro. No caso citado, algumas cr\u00edticas s\u00e3o resultado da incompreens\u00e3o a respeito das atividades do DLLLB, bem como das raz\u00f5es que me fizeram aceitar o convite. Muito poucas se baseiam em falsos dilemas.<br \/>\nDe todo modo, n\u00e3o me parece sensato apostar na derrocada da pauta nacional envolvendo o livro, a leitura, a literatura e as bibliotecas em virtude da reconfigura\u00e7\u00e3o do cen\u00e1rio pol\u00edtico atual. A esse respeito, concordo plenamente com a posi\u00e7\u00e3o de Pierre Bourdieu ao afirmar que o Estado deve ser defendido em fun\u00e7\u00e3o dos valores universais que apregoa, combatendo, por meio da arte, da filosofia e da ci\u00eancia os mecanismos de exclus\u00e3o cultural. Enquanto profissional militante, sempre lutei por bibliotecas empoderadoras, capazes de transformar, por meio da a\u00e7\u00e3o dial\u00f3gica, do confronto das linguagens, a vida do cidad\u00e3o comum.<br \/>\nQuando fui chamado para conversar com o ministro Roberto Freire, apresentei-me como \u201cbibliotec\u00e1rio militante\u201d, ou seja, um profissional, um t\u00e9cnico motivado a atuar em prol da leitura e das bibliotecas. Sou um bibliotec\u00e1rio. Nada mais e nada menos. Toda a minha forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica est\u00e1 em fun\u00e7\u00e3o de meu exerc\u00edcio na biblioteconomia. Minha milit\u00e2ncia se d\u00e1 nesse espa\u00e7o, concebido como \u201cprojeto ut\u00f3pico\u201d, exatamente por estar irremediavelmente marcado pela tens\u00e3o. H\u00e1 17 anos nutro a ideia de que bibliotecas geridas por gente inteligente produzem mobilidade social. Estou convencido de que esse princ\u00edpio \u00e9 v\u00e1lido, independentemente das cores das bandeiras que tremulam em nossas pra\u00e7as e cabe\u00e7as.<br \/>\n<strong><em>Em um texto de sua autoria intitulado, \u201cA morte do usu\u00e1rio esmoler e do bibliotec\u00e1rio masoquista\u201d, publicado na Revista do Conselho Regional de Biblioteconomia da 7\u00aa Regi\u00e3o (CRB-7), em dezembro de 2014, voc\u00ea define o bibliotec\u00e1rio masoquista como aquele que \u201catribui irresponsavelmente o t\u00edtulo de biblioteca a qualquer estante ca\u00f3tica e ensebada de paradas de \u00f4nibus\u201d. N\u00e3o seria uma postura arrogante por parte de um bibliotec\u00e1rio definir o que vem a ser uma biblioteca se nem a pr\u00f3pria \u00e1rea tem uma legisla\u00e7\u00e3o espec\u00edfica que determine isso? Esses espa\u00e7os de algum modo n\u00e3o preservam o valor simb\u00f3lico das bibliotecas e de alguma maneira cultivam o apre\u00e7o pela leitura?<\/em><\/strong><br \/>\nSua pergunta gravita em torno do significado do verbete \u201cbiblioteca\u201d. Sabemos que h\u00e1 uma literatura bastante extensa destinada a definir biblioteca. O Aur\u00e9lio, por exemplo, a conceitua como \u201ccole\u00e7\u00e3o de livros\u201d. \u00c9 uma boa defini\u00e7\u00e3o para n\u00e3o iniciados, mas a mim me parece uma absurdidade que ela seja acolhida t\u00e3o pacificamente pelos bibliotec\u00e1rios. Parece-me que, ao propor um conceito de biblioteca parcialmente desvinculado do acervo, criei certo desconforto, o que n\u00e3o deixa de ser muito curioso. Afinal de contas, nada mais o fiz do que jogar luz sob as entidades que, de fato, fazem com que a biblioteca se torne espa\u00e7o dial\u00e9tico.<br \/>\nEm minha primeira aula da gradua\u00e7\u00e3o, aprendi que a biblioteca \u00e9 um sistema, envolvendo, portanto, processos e, consequentemente, atores, e em qualquer livrinho b\u00e1sico de biblioteconomia, consta l\u00e1 registrado que uma biblioteca \u00e9, fundamentalmente, um sistema, o que pressup\u00f5e um v\u00ednculo cont\u00ednuo entre duas ou mais entidades no processo de ressignifica\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os f\u00edsicos e org\u00e2nicos, das suas cole\u00e7\u00f5es f\u00edsicas e digitais, e das diversas linguagens adotadas. Dificilmente, um m\u00e9dico em s\u00e3 consci\u00eancia definiria o hospital como o conjunto de estetosc\u00f3pios e seringas destinados a atender pessoas enfermas. Pois a pretens\u00e3o do artigo mencionado teve por finalidade tornar presente o protagonismo do bibliotec\u00e1rio na forjatura do que definimos como biblioteca.<br \/>\n<span class=\"_5yl5\">N\u00e3o se trata de ignorar o excelente trabalho j\u00e1 desempenhado por pessoas em prol do da leitura e bibliotecas. Tamb\u00e9m n\u00e3o tratei de evocar a reserva de mercado, garantida pela legisla\u00e7\u00e3o federal em vigor. Apenas creditei ao bibliotec\u00e1rio um espa\u00e7o por excel\u00eancia nestes dom\u00ednios.<\/span> Algumas experi\u00eancias comprovam que nossa atua\u00e7\u00e3o tende a transformar espa\u00e7os de leitura em bibliotecas e pr\u00e1ticas isoladas de fomento \u00e0 literatura em projetos planejados, capazes de atrair o cidad\u00e3o aos equipamentos culturais.<br \/>\n<strong><em>Por fim, o que voc\u00ea espera de 2017, um ano que aparentemente ser\u00e1 ainda muito dif\u00edcil para \u00e1rea cultural, especialmente a do livro, da leitura e das bibliotecas?<\/em><\/strong><br \/>\nAtuarei no sentido de fomentar coopera\u00e7\u00e3o no \u00e2mbito das bibliotecas brasileiras. O ministro Roberto Freire tem defendido o estreitamento dos la\u00e7os entre o DLLLB e a Funda\u00e7\u00e3o Biblioteca Nacional, o que potencializa as a\u00e7\u00f5es em prol da cust\u00f3dia, produ\u00e7\u00e3o e dissemina\u00e7\u00e3o da cultura brasileira. Isso me parece important\u00edssimo. J\u00e1 tenho investido minha energia nesse rumo, n\u00e3o apenas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Biblioteca Nacional, como a Casa Rui Barbosa.<br \/>\nEsse mesmo esp\u00edrito colaborativo \u00e9 que tem movido minha equipe pequena e aguerrida a trabalhar em defesa de uma pauta extensa e desafiadora. Espero que at\u00e9 o final do ano consigamos revitalizar o Sistema Nacional de Bibliotecas P\u00fablicas, empoderar os comit\u00eas do Proler, intensificar a presen\u00e7a do Brasil nas feiras internacionais do livro e reabrir a Biblioteca Demonstrativa de Bras\u00edlia. Coragem n\u00e3o falta.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Fonte &#8211;\u00a0<a href=\"http:\/\/biblioo.info\/gestao-de-cristian-no-dlllb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Revista Biblioo<\/a><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Al\u00e9m disso, ele pretende \u201cempoderar\u201d os comit\u00eas do Programa Nacional de Incentivo \u00e0 Leitura (Proler), intensificar a presen\u00e7a do Brasil nas feiras internacionais do livro e reabrir a Biblioteca Demonstrativa de Bras\u00edlia O \u201csim\u201d de Cristian Brayner ao chamado do ministro da Cultura, Roberto Freire, nomeado ao cargo no lugar de Marcelo Calero ap\u00f3s pol\u00eamica [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[71,124,164,108,165,122],"class_list":["post-7244","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias","tag-bibliotecarios","tag-bibliotecas","tag-cristian-santos","tag-dlllb","tag-proler","tag-snbp"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/crb1.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7244","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/crb1.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/crb1.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/crb1.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/crb1.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7244"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/crb1.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7244\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/crb1.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7244"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/crb1.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7244"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/crb1.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7244"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}