{"id":7287,"date":"2017-06-20T17:22:16","date_gmt":"2017-06-20T20:22:16","guid":{"rendered":"https:\/\/crb1.org.br\/?p=1600"},"modified":"2017-06-20T17:22:16","modified_gmt":"2017-06-20T20:22:16","slug":"difusao-do-habito-de-leitura-e-indices-de-proficiencia-continuam-a-ser-grave-problema-no-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/crb1.org.br\/site\/2017\/06\/difusao-do-habito-de-leitura-e-indices-de-proficiencia-continuam-a-ser-grave-problema-no-pais\/","title":{"rendered":"Difus\u00e3o do h\u00e1bito de leitura e \u00edndices de profici\u00eancia continuam a ser grave problema no pa\u00eds"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><em>Em 2016, n\u00famero de leitores em rela\u00e7\u00e3o ao total da popula\u00e7\u00e3o era de apenas 56%; forma\u00e7\u00e3o docente \u00e9 entrave para melhorar cen\u00e1rio<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" alignright\" src=\"http:\/\/www.prima.com.br\/institucional\/arquivo\/thumb\/noticias\/b10f48568a88cc76f89c_393x260_1_1_1_1.jpg\" alt=\"\" width=\"461\" height=\"305\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Se em maio de 2007, quando a revista Educa\u00e7\u00e3o completava dez anos de exist\u00eancia, um filme da d\u00e9cada anterior, Central do Brasil (1998), mostrou-se como a alegoria mais adequada para falar das dificuldades de estender o acesso \u00e0 leitura para a maioria da popula\u00e7\u00e3o brasileira, agora, quando esta publica\u00e7\u00e3o completa 20 anos, o primeiro t\u00edtulo que vem \u00e0 lembran\u00e7a para tratar do mesmo problema \u00e9 o americano Feiti\u00e7o do tempo (1993), com Bill Murray.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Nele, um rep\u00f3rter que se dedica \u00e0 cobertura de quest\u00f5es meteorol\u00f3gicas \u00e9 enviado a uma pequena cidade americana por ocasi\u00e3o da Festa da Marmota, uma comemora\u00e7\u00e3o provinciana pouco empolgante. Ele o faz de m\u00e1 vontade, pois a \u201csorte\u201d de acompanhar a efem\u00e9ride lhe \u00e9 atribu\u00edda j\u00e1 h\u00e1 alguns anos. Mas eis que, talvez como pr\u00eamio a seu comportamento arrogante e pouco profissional, ele fica preso naquele dia. A cada vez que acorda, o supl\u00edcio se repete e ele n\u00e3o consegue sair do indesejado claustro.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00c9 mais ou menos o que parece acontecer com a rela\u00e7\u00e3o entre os brasileiros e a leitura, seja no plano da educa\u00e7\u00e3o, seja na sociedade como um todo. E, pior, se em 2007 o pa\u00eds come\u00e7ava a respirar ares de euforia, em 2017 eles descambaram para uma espessa melancolia e desalento.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>E(in)volu\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Mas talvez o des\u00e2nimo generalizado, proveniente das crises pol\u00edtica, econ\u00f4mica e social, sirva mais para escancarar os problemas do que para mostrar alguns pontos em que parece ter havido evolu\u00e7\u00e3o, ainda que n\u00e3o generalizada.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Entre 2011 e 2016, por exemplo, intervalo que separa as duas \u00faltimas edi\u00e7\u00f5es da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, houve pequena evolu\u00e7\u00e3o seja no n\u00famero de leitores em rela\u00e7\u00e3o ao total da popula\u00e7\u00e3o, passando de 50% a 56%, seja na m\u00e9dia de livros lidos por ano, que passou de 4 para 4,96 por leitor. No levantamento, s\u00e3o considerados leitores aqueles que leram um livro, total ou parcialmente, nos tr\u00eas meses anteriores \u00e0 pesquisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Se d\u00e3o alento, os n\u00fameros chamam a aten\u00e7\u00e3o para alguns aspectos delicados: dos 4,96 livros lidos em m\u00e9dia, apenas 2,88 o foram por vontade pr\u00f3pria; do total de leitores, apenas um em cada quatro, 25%, declararam ler \u201cpor gosto\u201d. Uma propor\u00e7\u00e3o um tanto pequena para um pa\u00eds que mais do que duplicou o total de habitantes com forma\u00e7\u00e3o superior na d\u00e9cada passada.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Quanto aos problemas recorrentes, aqueles que nos fazem viver o eterno dia da marmota, vale listar alguns: descontinuidade das pol\u00edticas p\u00fablicas, escasso acesso ao livro nas camadas sociais mais pobres, concorr\u00eancia de novos meios de comunica\u00e7\u00e3o, em especial os digitais, e prec\u00e1ria forma\u00e7\u00e3o inicial e continuada dos docentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">No quesito da descontinuidade das pol\u00edticas p\u00fablicas, um exemplo claro est\u00e1 no pr\u00f3prio Plano Nacional do Livro e Leitura, pol\u00edtica lan\u00e7ada em 2006 com o intuito de dar visibilidade e multiplicar a\u00e7\u00f5es j\u00e1 em pr\u00e1tica, patrocinadas por diversas inst\u00e2ncias sociais, p\u00fablicas e privadas. Dela, decorreram a\u00e7\u00f5es como aquela que resultou em lei que obriga todas as escolas a terem bibliotecas at\u00e9 2020.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Assentado em quatro eixos (democratiza\u00e7\u00e3o do acesso; fomento \u00e0 leitura e forma\u00e7\u00e3o de mediadores; valoriza\u00e7\u00e3o da leitura e comunica\u00e7\u00e3o; apoio \u00e0 economia do livro), o PNLL passou por mudan\u00e7as ainda nos governos do PT. Nos primeiros anos, o ent\u00e3o secret\u00e1rio-executivo Jos\u00e9 Castilho Marques Neto dava mais \u00eanfase aos dois primeiros quesitos. Substitu\u00eddo no primeiro governo Dilma Rousseff pelo jornalista Galeno Amorim, o programa voltou-se mais ao apoio \u00e0 economia do livro. Marques Neto voltaria no segundo governo Dilma e sairia no ano passado. O atual governo diz que o PNLL \u00e9 projeto priorit\u00e1rio e que est\u00e1 \u201cempenhado em aprofundar rela\u00e7\u00f5es com os entes federados\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>Forma\u00e7\u00e3o docente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Mas, como diz a professora Magda Soares, refer\u00eancia em letramento e alfabetiza\u00e7\u00e3o com projeto de destaque junto \u00e0 rede de Lagoa Santa (MG), o problema central continua a ser a forma\u00e7\u00e3o docente, especialmente no que tange aos professores da educa\u00e7\u00e3o infantil e do fundamental 1. Falta a esses docentes, em geral, forma\u00e7\u00e3o espec\u00edfica para alfabetizar, particularmente no que diz respeito ao modo como as crian\u00e7as aprendem.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u201c\u00c9 grande a frequ\u00eancia com que professores acusam as dificuldades de aprendizagem das crian\u00e7as \u2013 que chamo de \u201cdificuldades de ensinagem\u201d \u2013, atribuindo culpa \u00e0s fam\u00edlias. Isso n\u00e3o \u00e9 justo, pois n\u00e3o se pode exigir daqueles que n\u00e3o tiveram o direito de uma alfabetiza\u00e7\u00e3o regular e completa que deem ajuda \u00e0 crian\u00e7a para a sua escolariza\u00e7\u00e3o\u201d, diz, em rela\u00e7\u00e3o a uma das principais justificativas para o insucesso escolar.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">A educadora, no entanto, v\u00ea alguns ind\u00edcios de evolu\u00e7\u00e3o. Como exemplo, cita o Programa Nacional pela Alfabetiza\u00e7\u00e3o na Idade Certa (Pnaic), que, al\u00e9m de partir do reconhecimento de que \u00e9 preciso buscar educa\u00e7\u00e3o de qualidade, ofereceu forma\u00e7\u00e3o de mais longo prazo.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u201cTrata-se de uma pol\u00edtica p\u00fablica importante, com um ano de forma\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o 40 horas ou 20 minutos aqui e ali. \u00c9 preciso que tenhamos a\u00e7\u00f5es sistem\u00e1ticas, voltadas, sobretudo, \u00e0 sala de aula\u201d, avalia Magda Soares. Mas acrescenta: \u201cAs pol\u00edticas p\u00fablicas de forma\u00e7\u00e3o j\u00e1 v\u00eam com o material pronto para ensinar o professor atrav\u00e9s da leitura e discuss\u00e3o desse material. N\u00e3o \u00e9 isso que forma um professor. \u00c9 preciso trabalhar em articula\u00e7\u00e3o com a pr\u00e1tica e a realidade do professor em sala de aula\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Para que essas pol\u00edticas sejam mais efetivas, Magda questiona a oferta por ades\u00e3o. No Pnaic, por exemplo, as redes escolhiam aderir ou n\u00e3o ao programa. E os professores daquelas que aderiram tamb\u00e9m faziam essa escolha.<br \/>\n\u201cSe voc\u00ea est\u00e1 buscando qualidade na educa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se trata de ades\u00e3o. Todo mundo tem de se qualificar, pois todas as crian\u00e7as e jovens t\u00eam direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o de qualidade, n\u00e3o s\u00f3 aquelas que est\u00e3o sob o professor que decidiu se especializar. Caso contr\u00e1rio, n\u00e3o \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o de impacto\u201d, defende.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>Sintoma<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Mas, se as pol\u00edticas p\u00fablicas t\u00eam caminhado, o ambiente geral do pa\u00eds anda cr\u00edtico em tempo de marmotas. Uma das boas contribui\u00e7\u00f5es dadas pelos institutos empresariais nos \u00faltimos anos havia sido a cria\u00e7\u00e3o e medi\u00e7\u00e3o frequente do Indicador de Alfabetismo Funcional, o Inaf, realizado em parceria pelo Instituto Paulo Montenegro, ligado ao Ibope, e pela ONG A\u00e7\u00e3o Educativa.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Em sua \u00faltima vers\u00e3o, inclusive, o Inaf havia sofisticado o indicador, criando uma nova categoria que dividia os leitores considerados plenos em intermedi\u00e1rios e proficientes. O que mostrou, ali\u00e1s, que apenas 8% da popula\u00e7\u00e3o adulta est\u00e1 no n\u00edvel mais alto. Mas, com a venda do Ibope a um grupo estrangeiro, o IPF saiu do projeto. Como em rela\u00e7\u00e3o a tantas outras coisas, resta a d\u00favida: o Inaf continuar\u00e1 a existir?<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Fonte:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.revistaeducacao.com.br\/difusao-do-habito-de-leitura-e-indices-de-proficiencia-continuam-ser-grave-problema-no-pais\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Revista Educa\u00e7\u00e3o<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 2016, n\u00famero de leitores em rela\u00e7\u00e3o ao total da popula\u00e7\u00e3o era de apenas 56%; forma\u00e7\u00e3o docente \u00e9 entrave para melhorar cen\u00e1rio Se em maio de 2007, quando a revista Educa\u00e7\u00e3o completava dez anos de exist\u00eancia, um filme da d\u00e9cada anterior, Central do Brasil (1998), mostrou-se como a alegoria mais adequada para falar das dificuldades [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[27,71,264,265,29,80,266],"class_list":["post-7287","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias","tag-biblioteca","tag-bibliotecarios","tag-brasil","tag-leitor","tag-leitura","tag-livro","tag-proficiencia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/crb1.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7287","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/crb1.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/crb1.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/crb1.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/crb1.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7287"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/crb1.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7287\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/crb1.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7287"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/crb1.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7287"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/crb1.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7287"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}